Pelo fim da corrupção?
- Léo Mackellene
- 23 de abr. de 2016
- 4 min de leitura
“O país está quebrado pela corrupção”, disse Miriam Leitão, uma das apresentadoras do Bom dia, Brasil. É possível! Afinal, é tanta!
Se procurarmos os índices econômicos dos EUA e da Europa, no entanto, teremos uma boa surpresa! O país mais desenvolvido do mundo registrou em abril 7,8 milhões de desempregados. Na Europa, é mais assustador ainda. O Jornal do Comércio publicou no dia 19 de abril que a União Europeia tem 26,5 milhões de desempregados. A taxa de desemprego na Grécia é de 27%, na Espanha, 26,8%, em Portugal, 17,8%. Ou seja, não só o Brasil está quebrado, o mundo está.
Agora, por que a TV insiste em dizer que é só aqui no Brasil?!
Uma possível saída para o Brasil seria o BRICS (bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), com um novo fundo monetário internacional que dispensa o FMI e deixa de usar o dólar como moeda internacional. .
Com o BRICS, o Brasil tem todas as condições de se tornar uma potência econô-mica, liderando o Mercosul e o bloco dos países da lusofonia, os países que falam língua portuguesa.
Ora, isso de fato não interessa nem à Europa, nem aos EUA, e, um dia depois da votação do impeachment na Câmara, o Senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) vai a Washington para uma reunião com o Sen. Bob Corker, do Comitê das Relações Internacionais dos EUA, e com o ex-embaixador dos EUA no Brasil, o hoje subsecretário Thomas Shannon. Coincidência?!
A Grande Mídia nos faz crer também que nunca se viu tanta corrupção como no atual governo! De fato! Mas, bem, a Odebrecht, uma das principais empresas investigadas na “Operação Lava Jato”, paga propina desde 1980. O pró-prio jornal O Globo noticiou isso no dia 23 de março deste ano. Então, por que isso só veio à tona agora?!
A delação premiada (Lei 12.850/13), a PEC 293/08, que confere independência à Polícia Federal, e ainda a Lei anticorrupção (Lei 12. 846/13) são parte das ações anticorrupção do governo. Só pra se ter ideia da importância dessas leis, se elas não existis-sem, a “Operação Lava Jato” jamais teria chegado onde chegou! O pacote anticorrupção, que aprofunda ainda mais a perseguição aos corruptos, está emperrado na Câmara dos Deputados desde março de 2015. Por quê?! O mais engraçado é que o pedido de Impeachment deu entrada bem depois disso e já foi votado. Pra quê tanta pressa?!
Na verdade, o discurso da corrupção está servindo única e exclusivamente para tirar o PT do poder. Por conta das leis anticorrupção que ele vem aprovando? Será?
De acordo com o próprio site da Polícia Federal, desde 2003, quando Lula assumiu a presidência, a prisão de envolvidos em corrupção cresceu de 200 pra 1.600.
Eduardo Cunha é o primeiro réu da “Operação Lava Jato” no Superior Tribunal Federal (STF). Waldir Maranhão (PP-MA), vice-presidente da Câmara, após a aprovação do Impeachment, começou arranjos para safar Eduardo Cunha das acusações. Osmar Serraglio (PMDB-PR) sugeriu abertamente “ignorar as denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro” contra Cunha como forma de agrade-cimento pelo papel dele no processo de Impeachment da presidenta Dilma. .
O relator do processo, Jovair Arantes (PTB-GO), foi condenado, no dia seguinte ao impeachment, pela Justiça Eleitoral a pagar R$ 25 mil de multa por crimes eleitorais.
Raquel Muniz (PSD-MG) votou pelo impeachment pulando como uma criancinha e balançando a bandeira do Brasil, feliz da vida, gritando “Pelo fim da corrupção eu voto 'sim'! Sim! Sim! Sim!”. Estava em êxtase. Teve que ser afastada do microfone por outros parlamentares. Antes do transe, porém, ela declarara que seu voto era para dizer que “o Brasil tem jeito sim. O prefeito de Montes Claros-MG mostra isso para todos nós com sua gestão”. Na manhã do dia seguinte, Ruy Adriano Borges Muniz, prefeito de Montes Claros, seu marido, foi preso pela Polícia Federal por corrupção ativa, estelionato, prevaricação, peculato, falsidade ideológica, e dispensa indevida de licitação pública.
São casos isolados?!
O Dep. Wladimir Costa – aquele que estourou o canhão de festa na hora do voto, já foi indiciado pelo Ministério Público do Pará e teve seus bens bloqueados por desvio de recursos públicos. Danilo Forte (PSB-SP) responde a inquérito enquadrado na Lei de Improbidade Administrativa. Paulinho da Força (PSD-SP) é réu por corrupção passiva, peculato e desvio de recursos do BNDES. Paulo Maluf (PP-SP), esse nem se fala, estava, até uma semana antes da votação na lista dos mais procurados pela Interpol. Ops! Sumiu magicamente de lá!
Mas, afinal, o impeachment é ou não é pelo fim da corrupção?!
Ora, de que realmente a presidenta Dilma é acusada? No fim das contas, ela está sendo acusada de obter empréstimos sem autorização da Câmara em bancos públicos para a manutenção, naquele momento, de programas sociais como o Bolsa-família e o pagamento do seguro desemprego de milhões de brasileiros desempregados pela crise que assola não só o Brasil, mas o mundo inteiro.
Esse é o tal “crime” de que acusam a Presidenta Dilma.
Léo Mackellene é mestre em “Literatura e Práticas sociais” pela Universidade de Brasília (UnB). Professor de Argumentação jurídica no curso de Direito e Editor de Publicações da Faculdade Luciano Feijão (FLF), em Sobral-CE. Escritor membro da Academia de Letras e Artes do Nordeste (ALANE). Autor de nove livros, dentre eles o romance Como gota de óleo na superfície da água (Radiadora, 2017). E-mail: leomackellene@gmail.com
Posts recentes
Ver tudoA partir de hoje, dia 28 de agosto de 2022, será decidido o futuro do país: o primeiro debate entre os presidenciáveis. Se Ciro seguir na...
As perguntas dirigidas a Lula foram exatamente as que estão na cabeça do povo: corrupção, erros na política econômica, associação ao MST,...
A OLX SOBRAL tem 57,8 mil membros, não restritos a Sobral, alcançando, na verdade, toda a região norte do estado do Ceará. Ao longo de um...