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Tasso pediu desculpas. Precisamos falar de revolução!

  • Léo Mackellene
  • 17 de set. de 2018
  • 4 min de leitura

É clara a estratégia de polarizar com o PT, as esquerdas e o movimento “Lula livre!”. Nas sabatinas, Fernando Haddad, apesar de reiterar as críticas que sempre ao PT, não fez um “mea culpa” nos moldes do que a Globo queria. Excelente! O PT não entendeu o recado! O PSDB, sim.

 

No dia 13 de setembro de 2018, o Estadão publicou entrevista com o Senador Tasso Jereissati, ex-presidente do PSDB. As declarações do cacique tucano vêm depois de três importantes entrevistas que, desde o título, dão a ver o seu caráter pernicioso: SABATINA. Nas sabatinas, os candidatos foram questionados, mais do que sobre suas propostas pro futuro, sobre seu passado. Um dos principais focos dos entrevistadores foi uma tal “mea culpa” que todos os candidatos precisavam assumir perante os “confessores” William Bonner e Renata Vasconcelos.

Essas declarações do Tasso corroboram aquilo que até então permanecia no plano da Teoria da Conspiração: o PSDB boicotou a economia brasileira para detonar o PT. “Fomos engolidos pela tentação do poder”, diz. Resta um parágrafo de perguntas: quais foram as pautas de contenção de gastos ou outras de cunho econômico propostas pelo governo Dilma a que o PSDB e seus aliados se opuseram? Qual seria a eficiência delas caso tivessem sido aprovadas? Quais as pautas aprovadas pelo PSDB e PMDB que implicaram em políticas de gastos, aumentando a sangria econômica? Qual o tamanho do impacto delas nas contas públicas? Como se comportaram os deputados e senadores, partido a partido, em cada votação de cada uma dessas pautas?

Não se trata aqui de distribuir culpas, mas de procurar entender como chegamos à beira de eleger democraticamente um militar, depois de 21 anos de Ditadura. Precisamos entender, além disso, o que significa essa declaração há menos de 45 dias das eleições. Não é fruto de uma ação irrefletida, como reagiu imediatamente a mídia golpista. Pelo contrário: ela aponta elementos estratégicos importantemente combinados. Vejamos:

Na breve entrevista, Tasso Jereissati afirma duas vezes que o PSDB não questiona as instituições, “respeitamos a democracia”, diz. Noutra pergunta, que parece elaborada para essa resposta: Qual o tratamento que o PSDB deve dar a Beto Richa? “Não confrontamos nem questionamos decisões judiciais”, afirma. Eis a chave.

Beto Richa, ex-governador do Paraná pelo partido, preso no dia 11 de setembro foi o peessedebista entregue à Lava Jato para que o partido pudesse se alinhar nesse cínico e aparente respeito à Ordem e ao Estado democrático de direito. Como assim?!

Geraldo Alckmin, na “sabatina” do Jornal Nacional no dia 29 de agosto, quando perguntado sobre esse caso, disse o mesmo, com essas exatas palavras: “Não questionamos decisões judiciais”. Tudo ensaiadinho como canto coral pra tocar na Catedral de Brasília.

É clara a estratégia de polarizar com o PT, as esquerdas e o movimento “Lula livre!”. Nas sabatinas, Fernando Haddad, apesar de reiterar as críticas que sempre ao PT, não fez um “mea culpa” nos moldes do que a Globo queria. Excelente! O PT não entendeu o recado! O PSDB, sim.

Essa polarização é apenas aparente, no entanto. Ao reconhecer como primeiro grande erro, na sexta-feira, 13, o questionamento do resultado eleitoral, isso soou como um pedido de desculpas do PSDB ao PT. Tanto que, na segunda-feira seguinte, 16, Haddad sinalizou possível diálogo com o PSDB. Mas... por que o PSDB pediria desculpas?

Resumo o que disse em minha coluna no : o PT nem de longe representou a superação do capitalismo, como sonhávamos gritando “Fora já! Fora já daqui! FHC e o FMI!” no início dos anos 2000. Procurou-se fundar uma outra ordem econômica mundial para se contrapor ao FMI, o BRICS? Sim. Mas mesmo aqui essa superação não se configurou. Todas as políticas adotadas pelo PT visavam à inserção dos mais pobres no mercado. E isso é ruim? Bem, não e sim. Mas deixo pra outra hora esse ponto. Por enquanto, ao aprovar a redução do IPI, o programa “Minha casa, minha vida”, “Minha casa melhor”, o PT representou, na verdade, o aprofundamento das relações capitalistas; mesmo como programas como o “Bolsa família”, Programa de Redistribuição de Renda, que, aos poucos, deixou de subsidiar cestas básicas para servir como política de reaquecimento do mercado de consumo. O episódio da calça de 300 reais é emblemático!

Ou seja, tanto PSDB quanto PT propõem a continuidade desse modelo estrutural. A questão é a forma de administração. Acenando um pro outro, O PSDB e o PT reafirmam um modelo que é o da atual Democracia Representativa: o presidencialismo de coalizão.

Com o Golpe de 2016, esse modelo ruiu.

Chico de Oliveira, em dois artigos publicados pela , “Hegemonia às avessas”, em janeiro de 2007, e “O avesso do avesso”, em outubro de 2009, afirma um ponto importante da eleição de Lula: o de que a hegemonia interna e externa aceitariam ser governadas pela esquerda desde que as regras do jogo não fossem mudadas. O espaço que me cabe aqui não me permite desenvolver isso, mas: qual mudança estrutural a esquerda possibilitou? Redistribuição de renda não é mudança estrutural, foi e é um movimento extremamente necessário ao mercado para mantê-lo aquecido e funcionando.

No momento em que o PT propôs a revisão da alíquota de impostos retidos na fonte, a taxação das grandes fortunas, a taxação das grandes transações financeiras etc. – isso pós-jornadas de junho de 2013 − a ordem hegemônica foi questionada e nós sofremos o golpe.

O PT foi o mais longe que um partido de esquerda podia ter ido dentro dessa estrutura. Para além de aqui, só uma Revolução.

Léo Mackellene é mestre em “Literatura e Práticas sociais” pela Universidade de Brasília (UnB). Professor de Argumentação jurídica no curso de Direito e Editor de Publicações da Faculdade Luciano Feijão (FLF), em Sobral-CE. Escritor membro da Academia de Letras e Artes do Nordeste (ALANE). Autor de nove livros, dentre eles o romance Como gota de óleo na superfície da água (Radiadora, 2017). E-mail: leomackellene@gmail.com

 
 
 

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