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De que eles têm medo?

  • Léo Mackellene
  • 15 de mai. de 2015
  • 5 min de leitura

Não é estranho que, durante a campanha presidencial de 2014, o então candidato Aécio Neves elogiasse o ex-presidente Lula (dado o prestígio dele junto à maioria da população brasileira), e ao mesmo tempo criticasse a candidata Dilma, numa estratégia clara de diferenciar um do outro, e, de repente, quando a candidatura de Lula em 2018 se torna cada vez mais evidente o ex-presidente comece a ser alvo de críticas e acusações? Não lhe parece estranho?

Na primeira semana de maio de 2015, a revista Época publicou uma matéria chamando Lula de “O Operador”, acusando-o de “tráfico de influência”, porque teria facilitado acordos internacionais entre governos da América Latina e a Odebrecht, uma empresa brasileira que atua também no exterior. Bem, o que a revista está chamando de “tráfico de influência”? Supondo que seja verdade, não é interessante que um ex-presidente do Brasil divulgue empresas brasileiras no exterior?! E se Lula fosse uma espécie de garoto propaganda da empresa? Não pode? Supondo que seja verdade, não é mais grave o que aconteceu com Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara dos Deputados em Brasília?

A Bradesco Saúde (plano de saúde privado) “doou” 250 mil à campanha de Eduardo Cunha a Deputado Federal. Uma vez eleito, ele apresentou e aprovou uma emenda, perdoando oficialmente uma dívida de 2 bilhões de reais que os planos de saúde privados deviam aos cofres públicos. Seria isso uma contrapartida? Quando se ameaçou instaurar uma CPI para apurar o caso, Eduardo Cunha, como presidente da câmara, vetou. Por quê? Outro golpe dele foi apresentar outra emenda através da qual queria obrigar empresas brasileiras a pagarem planos de saúde para seus empregados, uma ação que parece boa mas que só o que faz é aumentar os lucros da financiadora de sua campanha. Não seria isso um tráfico de influência mais qualificado que o “tráfico de influência” que, segundo a revista Época, Lula teria praticado? E outra coisa: por que a grande mídia enfatizou o caso de Lula e sequer mencionou o caso de Cunha?

No dia 08 de maio de 2015, o jornal O Globo publicou uma matéria sobre um livro recém-lançado a respeito de Pepe Mujica, ex-presidente do Uruguai. Na matéria, o jornal dizia que Lula, numa conversa informal, teria “confessado” a existência do Mensalão. A matéria cita o trecho do livro em que o ex-presidente do Uruguai teria dito isso: “Lula não é um corrupto como [Fernando] Collor e outros ex-presidentes brasileiros [...] Mas viveu esse episódio [do mensalão] com angústia e um pouco de culpa”. Bem, expressões entre colchetes, na linguagem jornalística, são utilizadas geral-mente para inserir palavras que não estão no trecho original. O trecho original não faz referência ao Mensalão. Essa foi uma interpretação não só equivocada mas tendenciosa do jornal. O próprio jornalista que escreveu o livro e o próprio Mujica desmentiram, quase que imediatamente, a matéria d'O Globo.

Não é a primeira vez que a mídia faz algo do tipo. Em 1989, a Rede Globo manipulou um debate entre os então candidatos à Presidência da República Collor e Lula. Esse debate (que na época não era ao vivo) foi exibido no sábado anterior ao domingo das eleições. O caso ficou mundialmente famoso através de um documentário britânico de 1993 sobre a televisão brasileira chamado Além do Cidadão Kane. Boni, o principal produtor da emissora na época, confessou num programa de entrevistas que a edição do debate favorecia o candidato Collor. Tanto o documentário quanto a entrevista de Boni estão no portal de vídeos youtube, se você quiser ver.

Não é estranho que, justamente quando o governo começou a falar em Regulação da Mídia e no fim do Financiamento Privado de Campanha (como no caso de Eduardo Cunha citado), a mídia, de maneira geral, tenha começado uma incessante guerra contra o governo e especialmente contra a presidenta Dilma e o PT?

Em 2014, a revista Veja, numa tentativa desesperada de influenciar as eleições – tal como fizera a Rede Globo em 1989 – publicou, dois dias antes do pleito, uma matéria com declarações de Alberto Youssef, envolvido num grande esquema de corrupção na maior estatal do país, a Petrobrás. Segundo essas declarações, tanto a presidenta Dilma quanto o ex-presidente Lula sabiam de todo o esquema. Na ânsia de derrotá-la, a revista tomou a declaração como verdadeira e publicou uma matéria de capa em que aparecem os rostos de Lula e Dilma com um fundo sombrio e a frase em letras grandes e vermelhas “ELES SABIAM DE TUDO”. A reação foi imediata. Em cadeia nacional, Dilma fez um pronunciamento ainda cedo da manhã em que, ao final, dizia que os responsáveis pela matéria responderiam na Justiça e os brasileiros dariam a resposta nas urnas. O tiro tinha saído pela culatra dessa vez. Em 1989, a estratégia para derrubar o PT dera certo. Em 2014, a estratégia para eleger Aécio (PSDB), não. Dilma foi reeleita.

Assim que assumiu o novo mandato, em 2015, Dilma cortou perto de R$ 6,5 milhões em publicidade pública nas grandes emissoras. Era uma mensagem clara! E pra eles, foi um baque! Além disso, a tentativa de “golpe” da Veja desencadeou um debate público sobre a Regulação da Mídia, travado nas redes sociais e fora delas. As pessoas começaram a discutir sobre o assunto e, mais, começaram a desejar a regulação.

Claro que o debate não era novo. Em dezembro de 2003, o Seminário Internacional TVQ – Criança, Adolescente e Mídia, por exemplo, concluía que “a televisão compro-mete a formação de jovens”. Era o início do debate sobre regulação da mídia, começando pela regulação da publicidade infantil.

Em 2014, o debate sobre regula-mentação da publicidade infantil entrou na tônica das conversas. O tema teve espaço na Rede Globo nos 20 minutos do programa “Na moral”, apresentado por Pedro Bial em agosto daquele ano. Desse programa, participaram membros de algumas organizações civis a favor da proibição da publicidade infantil, alguns pais e a filha do cartunista Maurício de Souza, cria-dor da Turma da Mônica e de toda uma linha de produtos infantis com a marca da personagem inspirada em sua filha.

A proposta de Regulação da Mídia, bem como a da proibição da publicidade infantil, vinha ganhando força, tanto que foi tema da redação da Prova do ENEM 2014.

A sociedade civil também tem se manifestado contra as manipu-lações midiáticas. No dia em que a Rede Globo comemorava 50 anos de existência, manifestações anti-Globo foram organizadas em todo o país. Em frente aos seus estúdios, numa manifestação que contou com 10 mil participantes, vários painéis da emissora foram pintados de vermelho, numa clara menção ao apoio que ela deu ao Regime Militar que assolou o país por 21 anos. A pressão foi tanta que a Rede Globo reconheceu esse apoio e pediu desculpas em pleno Jornal Nacional.

Além disso, assiste-se cada vez menos televisão. Os índices de audiência da Rede Globo em 2015 chegaram a marcações negativas.

Será que é todo esse quadro – e mais as recentes políticas federais de incentivo às mídias alternativas independentes – será que é todo esse quadro que provoca o desespero das emissoras de TV e de outros órgãos de mídia como a Veja, a Folha de S. Paulo, o Estadão, a revista Época, ou a revista IstoÉ etc., ao ponto de elas alvejarem incessantemente Dilma, o PT e o provável candidato às eleições de 2018, Luís Inácio Lula da Silva? De que eles têm medo?

Léo Mackellene é mestre em “Literatura e Práticas sociais” pela Universidade de Brasília (UnB). Professor de Argumentação jurídica no curso de Direito e Editor de Publicações da Faculdade Luciano Feijão (FLF), em Sobral-CE. Escritor membro da Academia de Letras e Artes do Nordeste (ALANE). Autor de nove livros, dentre eles o romance Como gota de óleo na superfície da água (Radiadora, 2017). E-mail: leomackellene@gmail.com

 
 
 

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